Letramento: saiba o que é e qual sua importância

Letramento: saiba o que é e qual sua importância

Cabeça com papéis escritos

Existe uma grande diferença entre alfabetização e letramento, e atualmente discutem-se inclusive os diversos tipos de letramentos necessários na formação de cidadãos críticos. Neste texto, você vai entender o que é alfabetização, quais são seus benefícios e seus limites, o que é letramento e por que ele se mostra a cada dia mais imprescindível.

Alfabetização

Já há algum tempo se discute que, na sociedade atual, ser alfabetizado não é condição suficiente para um bom desempenho comunicativo e para a inserção efetiva das pessoas nas diversas esferas com as quais se envolvem em suas vidas. Mas o que se entende, nesse contexto, por “alfabetização”?

A alfabetização é um processo no qual se ensina as pessoas a ler e a escrever, ou seja, no qual uma pessoa que antes era considerada analfabeta por não dominar a linguagem escrita passa à condição de alfabetizada. Isso quer dizer que essa pessoa agora conhece as técnicas para a leitura e a escrita, conhece esse código que nos permite uma comunicação ampliada temporal e espacialmente.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua Educação 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, 11 milhões de pessoas acima dos 15 anos de idade são analfabetas no Brasil (o que equivale a uma taxa de analfabetismo de 6,6%). Pode parecer um percentual pequeno, mas não é bem assim: somos o quarto país da América Latina com maior número de analfabetos. Para tornar a situação ainda mais complexa, parte das pessoas alfabetizadas não conseguem se valer da leitura e da escrita em suas atividades.

Alfabetizados, mas não letrados

Mas por que motivos a alfabetização passou a ser insuficiente? Os pesquisadores descobriram que, embora muitas pessoas tenham aprendido as técnicas básicas da leitura e da escrita, elas não eram capazes de utilizar a escrita para se comunicar e nem mesmo de compreender textos simples aos quais eram expostas. Com isso, a escrita e a leitura continuavam não sendo elementos importantes em seu cotidiano.

Foi esse contexto que levou ao surgimento do termo “letramento”, que começou a ser discutido no Brasil, ainda nos anos 1980, nas áreas da Educação e das Linguagens.   

Magda Soares, uma das pesquisadoras brasileiras que mais se dedicou ao tema (veja aqui entrevista com ela), apresenta-o com detalhes no livro Letramento: um tema em três gêneros. Neste livro, Magda afirma que a expressão surgiu como uma versão em língua portuguesa do termo literacy, do inglês, que significaria, nas palavras da pesquisadora, “o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever”.

Ou seja, mais que ser alfabetizado, o sujeito letrado é aquele cujo domínio da escrita e da leitura implicou uma mudança de condição social: esse sujeito não apenas conhece o código verbal, mas é capaz de usá-lo adequadamente em seu benefício em situações profissionais, pessoais e escolares.

Diante de tudo isso, Magda Soares ainda faz uma alerta: é possível que uma pessoa que não saiba ler nem escrever, ou seja, que é analfabeta, seja no entanto letrada. Como isso seria possível? Se essa pessoa, ainda que não domine os códigos da escrita e da leitura, está inserida em um meio no qual as práticas da palavra têm forte presença, ela pode fazer uso da escrita e da leitura por intermédio de terceiros: pode pedir que leiam para ela jornais e revistas, pode ditar cartas para que alguém as escreva, pode solicitar que lhe auxiliem na compreensão de avisos ou documentos escritos. Ou seja, essa pessoa conhece os usos sociais da escrita e da leitura e, ainda que não consiga realizá-los por conta própria, é capaz de inseri-los em seu cotidiano.

Letramentos múltiplos

O termo letramento não remete apenas ao domínio da linguagem verbal, e suas aplicações têm variado bastante desde o início de sua difusão em nosso país: fala-se em letramento matemático, em letramento literário, em letramento financeiro… E, no contexto das pesquisas em educação e linguagem, ganhou destaque no início do século XXI a noção de “multiletramento”.

É por esses motivos que se torna, a cada dia mais importante, não apenas entendermos o que é o letramento como conhecer suas múltiplas possibilidades, buscando formas de fazer com que o Brasil amplie não apenas o número de pessoas alfabetizadas mas, também, que cuide de tornar possível o letramento dessas pessoas.

Agora você já sabe a diferença entre alfabetização e letramento e entende os motivos pelos quais este é imprescindível. Gostou do conteúdo? Assine nossa newsletter e amplie seu conhecimento continuamente!